Família

Depressão na adolescência, como ajudar?

Entenda quais são os sinais da doença e como a família pode ajudar um adolescente com depressão

Apesar de a adolescência ser um período de transição, é preciso ficar atento: nem todas as mudanças que o adolescente experimenta são típicas dessa fase. Comportamentos como oscilações no humor, tristeza, desânimo, irritabilidade fácil, mudanças no apetite, isolamento, perda ou excesso de sono podem ser sinais de depressão na adolescência. Dessa forma, normalizar essas mudanças pode dificultar o diagnóstico da doença e a percepção sobre como ajudar quem sofre dela.

A realidade da depressão na adolescência

Geralmente associada aos adultos, a depressão também pode acometer os mais jovens. Segundo a Associação Brasileira de Psicanálise, cerca de 10% dos adolescentes brasileiros sofrem com essa doença. Em todo o mundo, esse número chega a 20%, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Saber se uma criança ou adolescente está com depressão não é tarefa fácil, visto que não há um exame específico que possa ser feito para diagnosticar a doença. Sobre isso, conversamos com Felipe Figueras Dable, psicólogo clínico e coordenador da Pós-Graduação em Psicologia Analítica da Universidade Positivo. Ele aponta que alguns episódios isolados de irritação e instabilidade de humor demonstram apenas uma adolescência normal. No entanto, quando isso começa a ficar muito constante, deve-se pensar na depressão. “Episódios de raiva, de irritação, de instabilidade, comportamentos agressivos, humor deprimido, falta de energia, grande variação de peso e baixa autoestima podem ser indicativos de um quadro depressivo. Além disso, é importante reparar nas atividades de lazer, se o adolescente está se isolando dos amigos e também ficar atento ao uso de substâncias como álcool e drogas”, alerta. 

Como a família pode ajudar?

Em casa, a família pode também perceber alterações no rendimento das atividades escolares e ficar atenta ao momento em que o adolescente não quer compartilhar nenhum assunto relacionado à escola. Além disso, outro alerta do psicólogo é sobre os riscos de menosprezar a patologia. “Não dá para minimizar um fenômeno depressivo pelo fato de ele ser frequente. Toda depressão tem risco. Ela pode ter o risco aumentado quando se começa a falar sobre ideação suicida ou comorbidade com outras patologias, mas é importante saber que toda depressão tem risco e deve ser levada muito a sério”, enfatiza. 

Segundo Dable, é preciso haver uma abertura para o diálogo emocional na família. O adolescente precisa saber que ele pode dizer que não se sente bem e que precisa de ajuda e, uma vez identificada, a necessidade de ajuda específica não deve ser desvalorizada. “É preciso desmistificar o pensamento de que um acompanhamento psicológico seja algo para pessoas doentes. Não é. É uma busca de saúde psíquica e de autoconhecimento. Deve-se manter um espaço aberto para entender que o trabalho com um psicólogo vai ajudar, não só no fenômeno depressivo, mas também na capacidade de se conhecer e promover mais saúde”, aconselha o especialista.

Como identificar a depressão?

A observação dos pais é fundamental para identificar possíveis alterações de comportamento e notar a existência de depressão na adolescência. De acordo com a American Psychiatric Association, um episódio de depressão é indicado pela presença de cinco ou mais dos sintomas listados abaixo, quase todos os dias, por um período de pelo menos duas semanas:

  • Estado de espírito depressivo durante a maior parte do dia;
  • Interesse ou prazer pela maioria das atividades claramente diminuídos;
  • Diminuição do apetite, perda ou ganho significativo de peso na ausência de regime alimentar;
  • Insônia ou hipersônia;
  • Agitação psicomotora ou apatia;
  • Fadiga ou perda de energia;
  • Sentimento exagerado de culpa ou de inutilidade;
  • Diminuição da capacidade de concentração e de pensar com clareza;
  • Pensamentos recorrentes de morte, ideação suicida ou qualquer tentativa de atentar contra a própria vida.

Este post é uma adaptação do texto originalmente publicado na Revista da Conquista deste ano. O material faz parte do composto oferecido às escolas e é usado para fortalecer o diálogo e o relacionamento com as famílias dos nossos alunos. 

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